Quando o fascismo era de esquerda

por Keith Preston. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos SantosArtigo original (em inglês) aqui.

O modelo convencional de espectro político “esquerda/direita” coloca o Fascismo e o Marxismo como pólos opostos. Marxismo é considerado uma ideologia de extrema-esquerda enquanto o fascismo supostamente representa o mais “direitista” que alguém pode ser. Um título recentemente traduzido ao inglês pela editora Finis Mundi de Portugal, o Fascismo Revolucionário, de Erik Norling, faz muito bem em apontar que a classificação do Fascismo – como concebido por Mussolini e seus asseclas – como direita política deve ser questionada.

Capa da edição inglesa do livro de Norling.

Esta obra foi originalmente impressa em 2001 e o autor, Norling, historiador e advogado, é um sueco que vive na Espanha. Norling observa que desde a juventude até a Primeira Guerra Mundial, Mussolini era tão esquerdista como qualquer contemporâneo seu (como por exemplo Eugene V. Debs). Era o que mais tarde viria a ser conhecido como “red diaper baby” (Nota do Tradutor: bebê das fraldas vermelhas – o que significava ser filho de socialistas revolucionários). Quando jovem, Mussolini era marxista, um anticlericalista fervoroso e foi até a Suíça para fugir do serviço militar, além de ser preso por incitar greves militantes. Eventualmente, se tornou um líder no Partido Socialista da Itália e foi preso novamente em 1911 por suas atividades anti-belicistas com relação à invasão italiana na Líbia. Mussolini era um socialista tão proeminente à esta altura de sua carreira que chegou a ser elogiado por Lenin, que o considerava o homem certo para o futuro estado socialista italiano.

Mussolini quando da sua prisão na Suíça em 1903, por advogar uma greve geral e violenta em Berna. No ano seguinte foi preso por falsificar documentos. Entre os pensadores que o influenciaram estavam o filósofo Friederich Nietzsche, o sociólogo Vilfredo Pareto e o sindicalista George Sorel, além do marxista Charles Péguy e do sindicalista Hubert Lagardelle. A ênfase de Sorel na derrubada da democracia liberal e do capitalismo pelo uso da violência, ação direta, greve geral e o uso de apelos à emoção neo-maquiavélicos impressionaram Mussolini.
Mussolini em 1911, quando ainda militava pelo Partido Socialista Italiano.

Quando iniciou-se a Primeira Guerra Mundial em 1914, Mussolini inicialmente manteve a política anti-belicista do Partido Socialista italiano, mas nos meses seguintes mudou para uma posição pró-belicista que acabou com a sua expulsão do partido. Ele então alistou-se no exército e italiano, e foi ferido em combate. As razões da mudança de Mussolini de uma posição anti-belicista para uma posição pró-belicista são essenciais para entender as verdadeiras origens e a natureza do fascismo e o seu lugar dentro do contexto da história política e intelectual do século XX. Mussolini passou a ver a guerra como uma luta anti-imperialista contra a dinastia dos Habsburgo no Império Austro-húngaro. Mais, considerava a guerra como uma batalha anti-monarquista contra as forças conservadoras como os Habsburgos, os turcos otomanos, os Hohenzollern da Alemanha, e atacava estes regimes como inimigos reacionários que haviam reprimido o socialismo. Mussolini também acreditava profeticamente que a participação da Rússia na guerra poderia enfraquecer esta nação a ponto de torná-la suscetível à revolução socialista, o que de fato aconteceu. Em outras palavras, Mussolini via a guerra como uma oportunidade para avançar as batalhas revolucionárias da esquerda na Itália e fora dela.

As fasci di combattimento, militâncias do fascismo, não deixam dúvidas sobre as raízes socialistas da ideologia: dentre outras requisições, a carga horária de 8 horas, o salário mínio, a participação operária no funcionamento técnico da indústria, a confiança de gestão da indústria e dos serviços públicos às organizações proletárias, a nacionalização de fábricas, tributação progressiva, a expropriação de riqueza, o confisco dos bens da Igreja.

Quando o movimento fascista italiano foi fundado em 1919, a maioria dos seus líderes e teóricos eram, como o próprio Mussolini, ex-marxistas e outros esquerdistas radicais como os proponentes das doutrinas sindicalistas revolucionárias de Georges Sorel. Os programas oficiais criados pelos fascistas, traduções que se encontram no livro de Norling, refletiam uma mistura de idéias socialistas e republicanas que estariam em comum com qualquer grupo esquerdista europeu da época. Se as evidências indicam que o fascismo tem suas origens na extrema esquerda, então de onde vem a reputação do fascismo como uma ideologia de direita?

Exemplos de influências de Mussolini: o niilista Nietzsche, o marxista Péguy, e os sindicalistas revolucionários Sorel e Lagardelle.

A resposta parece ser uma combinação de três fatores primários: propaganda marxista que acabou se misturando à historiografia mainstream, a revisão da doutrina revolucionária esquerdista pelos próprios líderes fascistas, e o inevitável compromisso e acomodação do fascismo após atingir o poder estatal de facto. Com relação ao primeiro, David Ramsay Steele descreveu a interpretação marxista padrão do fascismo em um importante artigo sobre a história do fascismo:

Nos anos 30, a percepção do “fascismo” no mundo anglófono mudou de uma novidade italiana exótica, até mesmo chique, para um símbolo multiuso daquilo que é mal. Sob a influência dos escritores esquerdistas, uma visão do fascismo foi disseminada e permanece dominante entre intelectuais até hoje. É mais ou menos assim:

Fascismo é o capitalismo sem máscara. É uma ferramenta do Grande Capital, que governa através da democracia até que se sinta mortalmente ameaçado, e então liberta o fascismo. Mussolini e Hitler foram colocados no poder pelo Grande Capital, porque o Grande Capital foi desafiado pela classe trabalhadora revolucionária. Temos naturalmente que explicar, então, como o fascismo pode ser um movimento de massas, e um que não é nem liderado nem organizado pelo Grande Capital. A explicação é que o fascismo o faz através de um uso amigavelmente esperto do ritual e do símbolo. Fascismo como uma doutrina intelectual é vazio de conteúdo sério, ou alternativamente, seu conteúdo é uma mixórdia incoerente. O apelo do fascismo é uma questão de emoção e não de idéias. Se sustenta no canto dos hinos, no balanço das bandeiras e outras palhaçadas que não são mais do que dispositivos irracionais empregados pelos líderes fascistas que foram pagos pelo Grande Capital para manipular as massas.

Esta percepção continua a ser a “análise” esquerdista padrão do fascismo mesmo nos tempos modernos. Eles fazem um longo e tortuoso caminho para explicar porque, por exemplo, os movimentos ou figuras políticas americanos que não tem absolutamente nada a ver com o fascismo histórico (como o Tea Party, os porta-vozes neoconservadores da Fox News ou programas de rádio conservadores) continuam a receber o rótulo de “fascistas” por esquerdistas.
A realidade das origens fascistas é bem diferente. Seus criadores eram típicas figuras políticas e intelectuais esquerdistas cujo ponto comum era o entendimento de que o marxismo era uma ideologia falha. Como Steele observou:

O fascismo começou como uma revisão do marxismo por marxistas, uma revisão que se desenvolveu em estágios sucessivos, de tal modo que tais marxistas gradualmente pararam de ver-se como marxistas, e eventualmente pararam de ver a si mesmos como socialistas. Mas nunca pararam de se ver como revolucionários antiliberais.

A Crise do Marxismo ocorreu nos anos de 1890. Intelectuais marxistas podiam clamar falar pelos movimentos de massas ao longo da Europa continental, mas ficou claro naqueles anos que o marxismo havia sobrevivido a um mundo que Marx acreditava impossível. Os trabalhadores estavam enriquecendo, a classe trabalhadora estava fragmentada em grupos com interesses distintos, o progresso tecnológico estava avançando em vez de encontrando obstáculos, a taxa de lucro não estava caindo, o número de investidores ricos (“magnatas do capital”) não estava diminuindo mas aumentando, a concentração industrial não estava aumentando, e em todos os países os trabalhadores estavam colocando o seu país acima da sua classe.

Os primeiros fascistas eram ex-marxistas que acabaram duvidando do potencial revolucionário da guerra de classes, mas tinham simultaneamente chegado à conclusão de que o nacionalismo revolucionário era promissor. Como Mussolini enfatizou em um um discurso em 5 de dezembro de 1914:

A nação não desapareceu. Acreditávamos que o conceito de nação era totalmente sem substância. Mas em vez disso vemos uma nação erguer-se como uma realidade palpitante diante de nós!… A classe não pode destruir a nação. A classe se revela como uma coleção de interesses – mas a nação é a história de sentimentos, tradições, língua cultura e raça. A classe pode se tornar parte integrante da nação, mas uma não pode encobrir a outra. A guerra de classes é uma fórmula vã, com efeito e consequência onde quer que se encontre um povo que não se integrou a seus próprios confins linguísticos e raciais – onde o problema nacional não foi resolvido definitivamente. Nestas circunstâncias o movimento de classe se encontra enfraquecido por um clima histórico inóspito.

A Carta del Lavoro, aprovada em 1927, é o reflexo do intervencionismo esquerdista das fasci d’azione internazionalista e do sindicalismo revolucionário das fasci di combattimento. Obra prima do sindicalismo fascista, é a fonte inspiradora da nossa Carteira de Trabalho.

O fascismo abandonou a guerra de classes por uma revolução nacionalista que pregava a colaboração das classes sob a liderança de um estado forte e capaz de unificar a nação e acelerar o desenvolvimento industrial. Realmente, Steele fez uma observação interessante das semelhanças entre os movimentos de “libertação nacional” italianos e latino-americanos marxistas da segunda metade de século XX:

A lógica que permeia a sua mudança de posição era a de que infelizmente não haveria revolução da classe trabalhadora, fosse nos países desenvolvidos, fosse nos menos desenvolvidos como a Itália. A Itália estava só, e o problema de Itália era pouca produção industrial. A Itália era uma nação proletária explorada, enquanto os países mais ricos eram nações burguesas e envaidecidas. A nação foi o mito que poderia unir as classes produtivas por trás de um movimento para expandir a produção. Estas idéias são o presságio da propaganda do Terceiro Mundo da década de 50 e 60, na qual as elites em países economicamente atrasados representavam seu próprio governo como “progressista” porque aceleraria o desenvolvimento do Terceiro Mundo. De Nkrumah a Castro, os ditadores do Terceiro Mundo seguiriam os passos de Mussolini. O fascismo foi um mero jogo de treino para o Terceiro-mundismo pós-guerra.

Mussolini e sua política são de certa forma as bases do caudilhismo terceiro-mundista. O estado forte, o culto ao líder, o sindicalismo, o populismo, o intervencionismo e protecionismo econômico e o autoritarismo são suas características comuns.

Durante seus vinte e três anos no poder, o regime de Mussolini certamente fez consideráveis concessões aos interesses tradicionalmente conservadores como os da monarquia, das grandes corporações, da Igreja Católica. Estas acomodações pragmáticas nascidas da necessidade política estão entre as evidências tipicamente expostas por esquerdistas como indicadores da natureza “direitista” do fascismo. No entanto há abundantes evidências de que Mussolini permaneceu essencialmente socialista durante toda a sua vida política. Em 1935, treze anos após alcançar o poder na Marcha Sobre Roma, setenta e cinco por cento da indústria italiana tinha sido nacionalizada ou colocada sob intensivo controle estatal. De fato, foi no final de sua vida e de seu regime que as políticas econômicas de Mussolini atingiram o seu pico de esquerdismo.

Após perder o poder por alguns meses durante o verão de 1943, Mussolini voltou como chefe de estado da Itália com auxílio alemão e fundou aquilo que ele chamou República Social Italiana. O regime subsequentemente nacionalizou todas as empresas com mais de cem operários, distribuiu terras e testemunhou um número de proeminentes marxistas entrando no seu governo, incluindo Nicola Bombacci, o fundador do Partido Comunista e um amigo pessoal de Lenin. Estes eventos são descritos em considerável detalhe na obra de Norling.

Engana-se quem acha que o fascismo está morto. Tal qual o comunismo, ele permanece vivo e ativo. Falangistas, nacional-bolchevistas, strasseristas e mesmo muitos grupos auto-declarados “anti-fascistas” são na verdade movimentos nacional-sindicalistas adeptos das mesmas idéias do antigo Partido Nacional Fascista Italiano. Mesclando elementos do nacional-socialismo, do bolchevismo e do anarquismo, os fascistas buscam angariar cada vez mais adeptos com seu discurso populista. Basicamente, é a mesma estratégia que outrora usaram para colocar marxistas, socialistas e social-democratas em suas fileiras.

Ao que parece a rivalidade histórica entre marxistas e fascistas é menos um conflito entre esquerda e direita, e mais um conflito de outrora irmãos na esquerda. Não seria nenhuma surpresa , dada a tendência de agrupamentos de esquerda radicais para vinganças sectárias. Na verdade, pode-se plausivelmente demonstrar que o “anti-fascismo” da esquerda está enraizado como a inveja de um parente mais bem-sucedido, mais do qualquer outra coisa. Como Steele comentou:

Mussolini acreditava que o fascismo era um movimento internacional. Ele esperava que tanto a democracia burguesa decadente quanto o marxismo-leninismo dogmático iriam dar lugar ao fascismo em todos os lugares, que o século vinte seria um século de fascismo. Como seus contemporâneos esquerdistas, ele subestimou a resiliência tanto da democracia como do liberalismo. Mas em essência a previsão de Mussolini se cumpriu: a maioria dos povos do mundo na segunda metade do século XX era governada por governos que na prática estavam mais próximos do fascismo do que do liberalismo ou do marxismo-leninismo. O século XX foi com certeza o século fascista.

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Autor: Renan Felipe dos Santos

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22 comentários em “Quando o fascismo era de esquerda”

  1. O titulo e a reportagem são desviantes e desinformantes… o texto que eles mesmo publicaram é contraditório com a interpretação apresentada… e principalmente as partes por eles mesmos destacadas…

    O autor Norling é um entusiasta histórico, não é um acadêmico de ciências Politicas… mesmo assim é seu direito expor sua opinião, ele mesmo diz que é revolucionário e antiliberal, e isso não quer dizer que o “Movimento Politico” seja de esquerda, pois mesmo as ditaduras militares de direita da América Latina foram “Revolucionarias e Antiliberais”, vendo suas incontáveis interferências no mercado econômico, a Reserva de mercado que o Brasil mesmo teve em vários setores da economia e só foram liberalizados por Collor, a larga estatização com a criação de grandes empresas estatais, depois privatizadas com o Neoliberalismo do FHC, mas criadas em regime politico direitista… então por analogia cientifica não valem como fatores determinantes do esquerdismo para o movimento fascista…

    Nascer de alguém não significa ser igual a ele… vemos isso todos os dias na rua e principalmente no espelho… mas vamos às CONTRADIÇÕES ENTRE O TEXTO E O TITULO DA POSTAGEM:

    vejamos os trechos onde é o próprio autor desse livro a dizer que esse “Neo-Movimento Politico” não é mais socialista nem tão pouco liberalista, está tudo ai, nesse texto mesmo:

    “a percepção do “fascismo” no mundo anglófono mudou de uma novidade italiana exótica, até mesmo chique, para um símbolo multiuso daquilo que é mal. Sob a influência dos escritores esquerdistas, uma visão do fascismo foi disseminada e permanece dominante entre intelectuais até hoje.

    Começamos aqui, veja que o autor já diz que FORAM OS ESQUERDISTAS A TAXAR O FASCISMO COMO UM MOVIMENTO MAL… ou seja, a Esquerda repudiava o movimento Neo-Formado, e pelo simples fato de que a aristocracia inglesa o achava chique na época, ou seja, a direita gostava e alimentava uma admiração por seus símbolos o que geraria influencia… e esquerdista não gosta de influencias que a aristocracia burguesa gosta e começa a propagar!

    Segunda contradição, essa parte diz claramente que o fascismo é de direita, e ainda explica o porque.. mas o titulo e a interpretação do texto e da obra usada como referencia dizem outra coisa, do texto do autor:

    “Fascismo é o capitalismo sem máscara. É uma ferramenta do Grande Capital, que governa através da democracia até que se sinta mortalmente ameaçado, e então liberta o fascismo. Mussolini e Hitler foram colocados no poder pelo Grande Capital, porque o Grande Capital foi desafiado pela classe trabalhadora revolucionária.”

    Não tem caminho tortuoso algum, como tenta descredibilizar o autor da reportagem, mas esses são os fatos reais, o capitalismo sem freios, onde quem não for de acordo com o sistema econômico imposto pela alta burguesia, é perseguido pelo estado, amigo dos grande empresários, industriais e banqueiros… é impossível analisar o Fascismo ou o Nazismo sem falar também nas grandes empresas, nas grandes industrias, ou nas grandes finanças da época ligadas a esses novos movimentos políticos… Veja o caso da I basta ver algo a respeito desses movimentos políticos e verá claramente suas ligações com as grandes industrias e homens de negócio… não existe tortuosidade alguma… interpretação politica isso ai, não fatos!

    Mais:

    “de tal modo que tais marxistas gradualmente pararam de ver-se como marxistas, e eventualmente pararam de ver a si mesmos como socialistas.”

    Essas são as palavras do Autor do livro usado como referencia da interpretação da reportagem direitista… bem… isso já explica tudo… que os fascistas não eram socialistas, mesmo tendo iniciado a vida nas fileiras marxistas… eles mudaram… evoluíram… não ficaram parados em uma posição, alias deixaram de adorar o antigo ideário politico dos marxistas e decidiram abandona-lo, e passar para a outra margem do rio.. e por fazer isso foram aceitos e promovidos pelos grande empresários e pelos grandes banqueiros… aceitos e promovidos pelos direitistas da mais alta aristocracia!

    Essa parte que o autor relata a crise do marxismo deixa claro que esses membros dos Neo-Movimentos políticos da época não seguiam ideologias já existentes, mas queriam o poder, e para isso criariam uma nova ideologia, já que o marxismo não estava mais fazendo “Leva” na classe dos trabalhadores, já uqe esses mesmos trabalhadores estavam com a vida melhorando, e até mesmo enriquecendo…

    “ficou claro naqueles anos que o marxismo havia sobrevivido a um mundo que Marx acreditava impossível. Os trabalhadores estavam enriquecendo, a classe trabalhadora estava fragmentada em grupos com interesses distintos, o progresso tecnológico estava avançando em vez de encontrando obstáculos, a taxa de lucro não estava caindo, o número de investidores ricos (“magnatas do capital”) não estava diminuindo mas aumentando, a concentração industrial não estava aumentando, e em todos os países os trabalhadores estavam colocando o seu país acima da sua classe.’

    Esses homens do fascismo e do nazismo, já que até aqui os dois movimentos políticos não são iguais…. mas que procuravam o poder sobre as massas, não mais poderiam ficar atras de uma ideologia decadente como o marxismo, mas precisavam criar uma nova ideologia pra conquistar as massas sedentas de comando em seu romantismo ingênuo movido pelo otimismo de estar melhorando de vida economicamente e ainda com o patriotismo nacionalista deslumbrando já que começam a colocar seu país acima da importância de classe social… e os empresários da alta aristocracia estariam ali pra ajudar nessa “Nova Formação Ideológica”…

    BEM, NESSA PARTE a reportagem panfletaria tem razão quando afirma:

    Os primeiros fascistas eram ex-marxistas que acabaram duvidando do potencial revolucionário da guerra de classes, mas tinham simultaneamente chegado à conclusão de que o nacionalismo revolucionário era promissor.”

    Esses movimentos políticos neo-formados foram muito hábeis em entender as massas e seus entusiasmos, e modificaram-se rapidamente para se adaptar ao novo contexto politico… o que já mostra que não seguiam nenhuma ideologia marxista, pois quem segue ideologia não muda os conceitos ou as crenças rapidamente, alias ficam firmes e convictos em suas posições de crença ideológica, pregam o ódio e ainda alimentam o “Muro contra Muro”… já esses fascistas e nazistas eram oportunistas, e venceram suas apostas, usando nomes baratos e até batidos para a propaganda politica, e ainda mais slogans simplistas fáceis de recordar, como “Luta à praga comunista”, “Comunista come Criancinha”, ou “Exterminar a Onda Vermelha”… sim, esses eram slogans Fasci-nazistas, as bases da nova pregação ideológica baseada no apoio ao capital dos grandes financiadores desses movimentos, que não admitiam o comunismo marxista em nenhuma hipótese…. tudo isso pra fulminar as massas cheias de entusiasmo da época… é dever reconhecer… foram realmente perfeitos EM IDENTIFICAR O HUMOR DAS MASSAS, NO COLHER O MOMENTO CERTO, E APROVEITAR AS OPORTUNIDADES!!!

    Nessa parte o autor do livro usado como referencia na reportagem explica claramente o porque do fracasso marxista:

    “A nação não desapareceu. Acreditávamos que o conceito de nação era totalmente sem substância. Mas em vez disso vemos uma nação erguer-se como uma realidade palpitante diante de nós!… A classe não pode destruir a nação. A classe se revela como uma coleção de interesses”

    Muito bom esse autor.. claro e especifico… focado na realidade politica da época.. mas a interpretação panfletaria e cheia de palavras de ordem politico ideológico é errática como disse antes… o intervencionismo do estado NÃO É BASE PARA SE CONSIDERAR UMA AÇÃO DE GOVERNO COMO SENDO DE ESQUERDA OU DIREITA… e o exemplo das ditaduras de direita são a máxima evidencia cabal desse analise! Vejamos a interpretação panfletária apos os esclarecimentos:

    A Carta del Lavoro, aprovada em 1927, é o reflexo do intervencionismo esquerdista das fasci d’azione internazionalista e do sindicalismo revolucionário das fasci di combattimento. Obra prima do sindicalismo fascista, é a fonte inspiradora da nossa Carteira de Trabalho.

    O fascismo fechou os sindicatos dos trabalhadores quando chegou ao governo da Itália… como poderia ser um partido sindicalista revolucionário??? PURA PANFLETAGEM IDEOLÓGICA essa interpretação essa afirmação em si…

    A carteira de trabalho era para o controle estatal sobre o cidadão e seu trabalho, não para gerar direitos sindicalistas, mas para o estado identificar os indivíduos sem trabalho e para poder taxar com impostos os trabalhadores em operação… e ainda identificar os trabalhadores que se reuniam em “Conspirações Marxistas” e incentivavam a greve ou invocavam melhores condições de trabalho ou aumentos salariais… e assim o empresário poderia simplesmente indicar ao estado o trabalhador subversivo, somente indicando o numero de sua carteira de trabalho, já que identidade podem ser falsificadas, e difíceis de controlar a procedência, já que dever-se-ia acionar arquivos centralizados e distantes, até lá a atividade subversiva do trabalhador revolucionário poderia já ter-se propagado entre os empregados de uma empresa, e assim as carteiras de trabalho eram cadastradas localmente, e tinham que ter um rastro com o INPS (Istituto Nazionale di Previdenza Sociale), que mantinha arquivos regionais e com comendas diárias dos arquivos centralizados em Roma, assim com fácil acesso sobre o pagamentos de pensões, o que viabilizava a Carteira de trabalho como um dos melhores métodos de controle do estado sobre o cidadão privado já inventados pelo homem… buscar informações sobre numero de documentos, e fotos requer pedidos e muita burocracia… mas buscar informações que são sempre atualizadas pois se trata de pagamento mensais ou até mesmo semanais em acasos especiais, com dinheiro publico… e também servia para as “Requisições” de cidadãos em tempos de crise, como enfermeiros, médios, engenheiros, etc.. pois obviamente existia um registro desses profissionais essenciais em casos de guerra!

    Hoje está tudo informatizado e acessível quase que imediatamente, mas antes as coisas eram mais complicadas…

    O texto panfletário também acerta ao dizer que o fascismo e sua burocracia foram a inspiração para movimentos políticos na América Latina, a ditadura Vargas que o diga, assim como o Peronismo.. mas principalmente para as ditaduras militares de direita, pois as metodologias burocráticas do fascismo sempre foram eficientes em rastreamento de atividades subversivas contra os regulamentos do estado, e as ditaduras latinas cegaram até mesmo a copiar os métodos das policias secretas do fascismo como o Doi-Codi, excelente no rastreamento de informações internas, de puro estampo fasci-nazista, mas aprendida na Academia das Américas nos USA.. que usava de metodologias da Gestapo e até mesmo dos Carabinieres italianos, um corpo de armada militar independente do exército ou da policia, criada mais de século antes dos fascistas, mas por eles reformada… ate hoje é tida como exemplo no rastreamento de inimigos na sociedade, usada no Kosovo e no Iraque, e seu corpo combatente foi já enviado ao Afeganistão… os Carabinieres já tiveram até mesmo um de seus generais como comandante geral das forças armadas da Itália.. não na policia, mas das forças armadas!

    Ah.. quer saber.. chega de falar sobre o desvio das informações do livro que demonstram claramente que o Fascismo era de direita e por isso eles tinham que fazer uma reportagem pra “Reinterpretar” as informações do mesmo livro, em uma tentativa politica clara de manipulação das informações… isso cansa… quem quiser acreditar nele que acredite, é um seu direito… mas recomendo que se informe melhor em outras partes para se conhecer a verdade cientifica e analítica dos fatos sobre o Nazismo e o Fascismo!!

    Valeu!!

    1. Realmente, muitos movimentos revolucionários e antiliberais não são de esquerda. Mas não é por isso que o Fascismo é de esquerda, é por outras razões.
      E sobre “neoliberalismo”: esta Escola de pensamento político não existe. O termo é aplicado para medidas liberais ou mesmo monetaristas que foram tomadas por governos dos mais distintos tipos (social-democratas, regimes militares, monarquias conservadoras, socialistas, etc) após a queda do comunismo, sendo bastante genérico, vago e enganoso.

      Tanto esquerda quanto direita nasceram do Iluminismo que, por sua vez, teve de sair de algum lugar no meio do Absolutismo. Mas nem direita e nem esquerda são absolutistas. O que faz do fascismo esquerda política é um conjunto de idéias e práticas, premissas sobre o direito, a sociedade, o homem e a economia.

      Achei que o debate seria sério, mas você veio com um maniqueísmo muito mal construído que posso refutar facilmente. Aliás, nem preciso porque é o maniqueísmo típico da interpretação marxista padrão denunciada no próprio artigo.
      O fato dos bolcheviques menosprezarem os mencheviques, faz dos mencheviques direita? O fato dos bolcheviques terem praticamente exterminado os anarquistas, faz dos anarquistas direita? É óbvio que não. O fato de que a maioria dos esquerdistas de hoje pensa que o fascismo é ruim (mesmo sem saber o que é e as vezes defendende-lo com outros nomes, como é o caso do trabalhismo) não indica de modo algum que ele deixou de ser esquerda. Como a polilógica não é argumento, tanto faz de que “classe” veio o fascismo ou o marxismo, o que importa são as idéias que ambos comportam.

      Não houve, portanto, contradição alguma exceto da sua parte por pensar que, porque uma parte de um determinado grupo detesta uma outra parte minoritária, esta parte minoritária deixa de ser parte do grupo. Se você soubesse interpretar texto, teria entendido que este trecho é “a interpretação marxista padrão do fascismo” como está ali escrito. A interpretação marxista padrão está errada, e é isso que o texto está demonstrando. Você está reproduzindo a interpretação marxista padrão. Está errada e já foi explicado o porquê: “capitalismo sem freios” é laissez-faire, liberalismo. Fascismo é antiliberal, porque é dirigista, corporativista e sindicalista. Afirmar que algo pode ser ‘sem freios’ e ao mesmo tempo ‘dirigido pelo Estado’ é uma contradição lógica patente.

      Também é impossível analisar o Comunismo ou a Social-Democracia sem falar nas grandes empresas, nas grandes indústrias, nas grandes finanças. O erro mais comum, e também o mais babaca, entre os socialistas, é a homonímia girando em torno do termo “capitalista”. Se capitalista é sinônimo de empresário, banqueiro, industriário, então um empresário, banqueiro ou industriário pode ser capitalista e socialista ao mesmo tempo (como foi Engels). Mas, se capitalista é quem apoia o capitalismo, mesmo um “proletário” pode ser capitalista. Desta confusão entre termos sai a diarréia mental típica do marxista: fascismo é capitalismo porque na Itália haviam grandes empresas, grandes bancos, etc. Ora porra, na URSS também tinha e em Cuba tem até hoje.

      Como já vi que que você só está reproduzindo a interpretação marxista padrão sobre o assunto, a qual já foi refutada no artigo, não me darei o trabalho de ler ou responder o restante do seu comentário.

      Abraços

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