Estreou essa semana na Globo uma mini-série, O Brado Retumbante. Não assisti, admito, mas os comentários revelam que o programa promove uma característica já enraizada na cultura nacional e que nos prejudica geração após geração: a cultura do personalismo. O brasileiro busca um salvador da pátria.

Quantos salvadores da pátria já não tivemos? Getúlio, Juscelino, os Militares, Collor, Lula… Quantos deles nos salvaram dessa zona que chamamos de país? Nenhum. O brasileiro precisa aprender que o que faz uma nação é seu povo, não seu governo. Relações honestas e éticas entre as pessoas fortificam uma nação. Criam um ambiente propício ao crescimento econômico.

O personalismo leva ao autoritarismo. É um caminho inevitável que já percorremos diversas vezes. E percorreremos mais vezes essa sombria trilha enquanto não nos conscientizarmos dos problemas do culto à personalidade. Característica um tanto quanto comum em países totalitários e seus Queridos Líderes, que lideram a nação direto ao abismo e ao caos.

O ditador Getúlio Vargas, melhor exemplo de culto a personalidade no Brasil.

Outro problema que traz essa cultura é a falta de mérito. As relações só existem por mero interesse, buscando privilégios, enquanto o homem se transforma no ser marxista: debilitado de freios morais (a superestrutura derrubada), o indivíduo é submetido a um coletivo movido simplesmente pelo interesse econômico, já que para Marx o ser humano é um ser meramente econômico. Um tanto quanto ofensivo, a meu ver, igualando-nos a qualquer outro animal que tem como objetivo de vida a comida do dia. E nessa busca, apenas os amigos do poder são escolhidos como grandes vencedores.

O ser humano é um ser complexo. Um ser moral, espiritual, e também econômico, porque não? E por tamanha complexidade devem ser respeitados os resultados provenientes do pesamento e dos costumes de cada um, de cada pequeno aglomerado de pessoas, para culminar na riqueza de um corpo social saudável e propício ao desenvolvimento. Isso só é possível com o respeito às liberdades individuais no lugar do culto à personalidade do Estado, de quem a população supostamente deve ser um perfeito espelho. Com um perfeito espelho do Estado, cria-se uma população frágil, imoral e dependente da ajuda dos governantes. Com indivíduos distintos, dotados dos mesmos direitos, mas tendo suas individualidades respeitadas, cria-se mentes brilhantes e pensadores livres. Assim semeamos a liberdade.