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Muito se escuta que o Brasil precisa de melhor planejamento. Um discurso já demasiadamente propagado e tomado como verdade em uma sociedade já dominada pela meticulosa subversão arquitetada e promovida durante décadas pelos progressistas. Encontramo-nos num ponto praticamente irreversível desse abismo cultural e cegueira ideológica a que fomos submetidos. Dizem que uma mentira contada mil vezes torna-se automaticamente uma verdade, e parece ser esse o caso. Mas tolos são aqueles que pretendem planejar e construir uma sociedade a partir do zero, destruindo instituições e uma cultura que nasceu e evoluiu através dos tempos.

Atualmente, no Brasil, tem-se uma visão errônea do conservadorismo. Comumente confundidos com reacionários, conservadores tem seus argumentos desconsiderados pelo simples fato de serem conservadores. Sofrem ataques ad hominem sendo assim praticamente impedidos de exporem suas ideias. Ninguém conhece o conservadorismo, mas todos o abominam quase que instantaneamente. Para ajudar a desfazer essa imagem, voltemos ao berço do conservadorismo moderno, a Inglaterra do século XVIII, com Edmund Burke.

Edmund Burke, o pai do conservadorismo.

Na época acontecia uma tentativa brutal de engenharia social: A Revolução Francesa. Movidos cegamente pelo racionalismo iluminista e pelo conceito de democracia,  os franceses promoveram alguns dos mais sangrentos episódios da história da França. Sem objetivos práticos, ideais postos acima da humanidade, rumaram em direção ao caos. E esse foi apenas o resultado a curto prazo de uma revolução irresponsável. A longo prazo vemos um país que é sinônimo de instabilidade política. Era essa a crítica escrita por Edmund Burke, antes mesmo do fim da revolução. O pai do conservadorismo previu o caos no qual que seria lançada a França pelos parisienses revoltosos, e ressaltou que nações construídas sobre preceitos conservadores sobreviveriam através dos tempos. Mas que preceitos conservadores são esses?

Muitos esperam que eu comece a pregar sobre a moral alheia, ditar como deve se comportar a sociedade. Deixo isso aos engenheiros sociais. Os preceitos conservadores são os da política responsável e ponderada. A política buscando resultados práticos, e não ideais. É a política do equilíbrio entre o progressismo exacerbado e o reacionarismo automático e demasiado irracional.

É preciso lutar contra as forças combinadas dos defeitos opostos, contra a rotina que rejeita todo melhoramento e a frivolidade que se fatiga e se desgosta de tudo aquilo que possui.

– Edmund Burke

Em outras palavras, o conservador não rejeita a mudança a todo custo. Apenas respeita os costumes e instituições que se desenvolveram ao longo dos tempos e fazem parte da história de uma nação. Promove a liberdade de as pessoas viverem de acordo com seus costumes e estilos de vida, não existindo um superior. O não culto ao progresso, que se impõe sobre todos. A valorização da cultura de uma nação e de sua moral. Pois um povo que valoriza seus costumes é um povo unido. Aquele que se mantivesse unido em torno de suas virtudes e de sua cultura seria um povo que decidiria sobre seu futuro.

A desconfiança sobre a natureza humana é inerente ao pensamento conservador. A dúvida é amiga da prudência. E essa dúvida estende-se aos homens de Estado. Por esse motivo o governo deve possuir mecanismos de auto-limitação.

Um Estado grande o suficiente para dar tudo que você quer é um governo grande o suficiente para tirar tudo que você tem.

– Gerald R. Ford

A auto-limitação do Estado leva a um regime econômico um tanto quanto óbvio: o livre-mercado. Ao dar a todos um mesmo ponto de partida (dever de um conservador) e deixar de, então, influenciar em suas vidas, cria-se uma hierarquia (nem todos usufruem da mesma maneira desse ponto de partida). O conservador reconhece a existência da desigualdade material, mas não a condena (a desigualdade material existirá em qualquer regime implantado). Nos últimos tempos houve uma inversão de valores interessante em que a desigualdade passou a ser tratada como o maior dos problemas de uma nação (Enquanto devia ser a miséria. Digo a vocês, quase não existe desigualdade social na África). Então para essa esquerda é melhor que todos sejam igualmente pobres.

A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias.

– Sir Winston Churchill

O conservador, em suma, existe para evitar que a sociedade arruíne-se em devaneios românticos. Quando todos os ideais falham e o romantismo já foi desgastado em forma de inanição e desemprego, a política pragmática dos conservadores serve como a última muralha defendendo a coesão social. Sem radicalismos e sem a defesa universal de um ideal, tenta colocar nos trilhos uma sociedade para que esta, independentemente, siga harmoniosamente seu caminho de reconstrução da cultura e produção. E sem criar moldes de pessoas ideais acaba por criar pessoas que, em suas imperfeições, são livres pensadoras e motores de uma nação estável. Esse é o complexo pensamento conservador. E nada menos deveria ser aceitável para um ser tão complexo quanto o ser humano.