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Dando seguimento aos nossos posts sobre heroínas e ídolos femininos, o artigo de hoje é uma homenagem à uma espiã, indiana e muçulmana, que operou por trás das linhas nacional-socialistas durante a Segunda Guerra Mundial em plena Paris ocupada.

Khan nasceu no dia do ano novo de 1914 em Moscou, filha de pai indiano e mãe americana. Seu pai era um muçulmano indiano que mudou-se com a família para a Inglaterra (onde Khan estudou enfermagem) e então para a França, onde Khan foi educada em psicologia infantil (em Sorbonne) e música (no conservatório de Paris). Posteriormente trabalhou escrevendo histórias infantis. Ela e o irmão Vilayat fugiram da invasão nacional-socialista e saíram da França para a Inglaterra, onde chegaram 22 de junho de 1940.

Em novembro de 1940 alistou-se na Women’s Auxiliary Air Force, e dois anos depois sua dedicação e treinamento nas transmissões de rádio chamaram a atenção do SOE.

Foi recrutada para a Seção F (França) das operações especiais da SOE, e apesar das opiniões divergentes dos superiores sobre ela, seu francês fluente e sua competência em comunicação wireless lhe tornaram uma candidata desejável. Apesar das dúvidas sobre sua capacidade, foi posta em ação na França em junho de 1943 para tornar-se a operadora de rádio na rede de resistência ‘Prosper’ em Paris, usando o codinome ‘Madeleine’. Em 16 de junho de 1943, sob o codinome ‘Madeleine’ e sob a identidade falsa de Jeanne-Marie Regnier, Khan desceu de páraquedas no norte da França. Viajou a Paris, e junto com outras duas operadoras de rádio da SOE, Diana Rowden e Cecily Lefort, uniu-se à rede liderada por Francis Suttill. Durante as seis semanas seguidas após sua chegada, a Gestapo fez prisões em massa dos grupos da Resistência Francesa em Paris. Ela recusou-se a abandonar o que se tornou a principal e mais perigosa posição na França, pois não queria deixar seus parceiros franceses sem comunicação e tinha esperanças de reconstruir o grupo.

Muitos membros da rede foram presos logo depois de sua chegada, mas ela optou por permanecer na França, e, frequentemente mudando de aparência e codinome, passou o verão mudando de lugar para lugar, tentando enviar mensagens de volta para Londres. Mesmo os alemães tendo a sua descrição completa e colocando forças consideráveis para quebrar a última ligação com Londres, foi somente a traição por parte de uma francesa que acabou por colocá-la nas mãos da Gestapo.

Foi traída por uma francesa, supostamente enciumada de um companheiro, e presa pela Gestapo que descobriu que ela mantinha cópias dos seus sinais secretos. Os alemães puderam usar seu rádio para enganar Londres e forçar o envio novos agentes direto para as mãos da Gestapo.

Noor Inayat Khan era a última ligação essencial entre Londres e Paris depois que as prisões em massa da Gestapo destruíram a rede espiã da Special Operation Executive em Paris. Sua posição se tornou tão perigosa que os comandantes exigiam que ela retornasse. Ela recusou-se, e esta decisão custou-lhe a vida.

Khan foi levada para o QG onde os alemães, agora de posse de seus códigos e mensagens, queriam que ela cooperasse. Ela recusou e não lhes deu informação de qualquer tipo.

Enquanto esteve presa em uma das celas do quinto andar do QG da Gestapo na avenida Foch, fez duas tentativas infrutíveras de escape. Pediram-lhe que assinasse uma declaração de que não tentaria mais escapar, mas ela recusou e o chefe da Gestapo obteve permissão de Berlim para mandá-la à Alemanha para uma “custódia de segurança”.

Khan foi enviada para Karlsruhe em novembro de 1943, e então para Pforzheim, onde foi mantida na solitária. Apesar das torturas, recusou-se a revelar informações e em setembro de 1944, Khan e outras três agentes do SOE foram transferidas para Dachau, onde foram executadas.

Khan foi condecorada post-mortem com a George Cross em 1949 e a Croix de Guerre francesa.