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Este artigo é o primeiro de uma série que pretendemos publicar. Nesta série de artigos pretendemos fazer três coisas:

Homenagear as mulheres corajosas que assumiram grandes responsabilidades políticas ou trouxeram ao mundo o esplendor do seu talento; agradecer ao público feminino que visita o blog, nos curte no Facebook e nos segue no twitter e mostrar para as mulheres ainda indecisas que para ter conteúdo e relevância política não é necessário aderir à baixeza de passeatas tipo “Marcha das Vadias” ou filiar-se a um clubinho anarco-feminista.

A primeira mulher homenageada é ninguém mais ninguém menos que Ayn Rand.

I. Biografia

Ayn Rand nasceu em São Petersburgo, Rússia, em 2 de fevereiro de 1905. Aos seis anos aprendeu a ler sozinha e aos nove já estava decidida a fazer da literatura e da ficção a sua carreira. Totalmente oposta ao misticismo e ao coletivismo da cultura russa, ela se via como uma escritora européia, especialmente após encontrar com Victor Hugo, o escritor que ela mais admirava.

Natasha, Nora e Alisa (Ayn).

Durante o ensino médio, foi testemunha tanto da Revolução de Kerensky, a qual apoiou, e – em 1917 – a Revolução Bolchevique, à qual opôs-se desde o início. Para escapar do conflito, sua família foi para a Criméia, onde ela terminou os estudos. A vitória comunista trouxe o confisco da farmácia de seu pai e períodos de grande fome e miséria. Quando apresentada à história americana no último ano do ensino médio, imediatamente tomou a América como um modelo do que seria uma nação de homens livres.

Quando sua família retornou da Criméia, entrou na universidade de Petrogrado para estudar filosofia e história. Graduada em 1924, sentiu na pele a desintegração da liberdade acadêmica e a tomada da universidade por militantes comunistas. Em meio à vida cada vez mais cinzenta, o seu maior prazer eram operetas vienenses e filmes e peças de teatro ocidentais. Há tempos uma admiradora do cinema, entrou no Instituto Estadual de Artes Cinematográficas em 1924 para estudar roteiro. Foi nessa época que ela foi publicou pela primeira vez: um livreto sobre a atriz Pola Negri (1925) e um livreto intitulado “Hollywood: American Movie City” (1926), ambos reimpressos em 1999, em Russian Writers on Hollywood.

Foto tirada pouco antes de sair da URSS, usada no passaporte de Ayn.

Nos fins de 1925 obteve permissão para deixar a União Soviética e visitar parentes nos Estados Unidos. Embora tenha dito às autoridades soviéticas que sua visita seria curta, estava determinada a nunca mais voltar à Rússia. Chegou a Nova Iorque em fevereiro de 1926. Passou os seis meses seguintes com seus parentes em Chicago, obteve uma extensão para o seu visto, e então partiu para Hollywood para tentar uma carreira como roteirista.

No segundo dia de Ayn Rand em Hollywood, Cecil B. DeMille a viu no portão do seu estúdio, lhe ofereceu uma carona até o set de filmagem do seu filme The King of Kings e lhe deu um emprego, primeiro como uma figurante, depois como revisora de roteiros. Na semana seguinte ela encontrou no estúdio o ator Frank O’Connor, com quem se casou em 1929. Permanceram casados até a morte dele, cinqüenta anos depois.

No terraço do apartamento em Hollywood, com os estúdios da RKO ao fundo. Início da década de 1930.

Depois de muitos anos tendo que enfrentar outros empregos, incluindo um no departamento de figurinos na RKO Radio Pictures Inc., vendeu seu primeiro roteiro, Red Pawn para a Universal Pictures em 1932 e viu sua primeira peça, Night of January 16th, produzida em Hollywood e apresentada na Broadway. Seu primeiro romance, We the Living, estava completo em 1934 mas foi rejeitado por muitas editoras, até que a The Macmillan Company nos Estados Unidos e a Cassells and Company na Inglaterra publicaram seu livro em 1936. A mais autobiográfica de suas obras, We The Living se baseava nos seus anos vividos sob a tirania soviética.

Ayn Rand e o marido, Frank O’Connor.

Começou a escrever The Fountainhead em 1935 (fazendo uma pausa em 1937 para escrever a novelette anti-coletivista Anthem). Na personagem do arquiteto Howard Roark, ela apresentou pela primeira vez o tipo de herói cuja imagem era o maior objetivo da sua literatura: o homem ideal, o homem como “poderia ser e deveria ser.” The Fountainhead  foi rejeitado por doze editoras mas finalmente aceito pela Bobbs-Merrill Company. Quando foi publicado em 1943, fez história por se tornar um best-seller pelo “boca a boca”, dois anos depois, dando a sua autora o reconhecimento como uma campeã do invidualismo.

Ayn Rand returnou a Hollywood no final de 1943 para escrever um roteiro para The Fountainhead, mas restrições econômicas devidas à guerra atrasaram a produção até 1948. Trabalhando parte do tempo como roteirista para a Hal Wallis Productions, começou a escrever sua maior obra Atlas Shrugged, em 1946. Em 1951 mudou-se novamente para Nova Iorque e dedicou-se em tempo integral ao livro Atlas Shrugged.

Publicado em 1957, Atlas Shrugged foi sua maior obra e seu último trabalho de ficção. Neste romance ela dramatizou sua própria filosofia em uma história de mistério intelectual que integrava ética, metafísica, epistemologia, política, economia e sexo. Embora se considerasse uma escritora de ficção, principalmente, ela percebia que para criar personagens heróicas ficcionais ela teria que identificar os princípios filosóficos que tornavam tais indivíduos possíveis.

Depois disso, Ayn Rand escreveu e lecionou sobre a sua filosofia – o objetivismo, que ela caracterizava como “uma filosofia para viver na terra.” Ela publicou e editou seus próprios periódicos de 1962 a 1976, seus ensaios consistindo da maior parte do material para os seis livros sobre o objetivismo e sua aplicação na cultura. Ayn Rand morrem em 6 de março de 1982, no seu apartamento em Nova Iorque.

Cada livro escrito por Ayn Rand publicado durante sua vida ainda está em circulação, e centenas de milhares de cópias são vendidas todo ano, totalizando até agora mais de 25 milhões. Muitos volumes novos foram publicados postumamente. Sua visão do homem e sua filosofia para viver na terra mudaram a vida de milhares de leitores e lançaram um movimento filosófico com crescente impacto na cultura americana.

II. Obras

Romances:
We the Living (1936)
The Fountainhead (1943, traduzido para o português como ‘A Nascente’)
Atlas Shrugged (1957, traduzido para o português como ‘A Revolta de Atlas’)

Outras obras de ficção:
Night of January 16th (1934)
Anthem (1938)

Não-ficção:
For the New Intellectual (1961)
The Virtue of Selfishness (1964)
Capitalism: The Unknown Ideal (1966)
The Romantic Manifesto (1969)
The New Left: The Anti-Industrial Revolution (1971)
Introduction to Objectivist Epistemology (1979)
Philosophy: Who Needs It (1982)

III. Magnum Opus: Atlas Shrugged (A Revolta de Atlas)

Atlas Shrugged (1957) – sua obra-prima e último romance – é a brilhante dramatização de sua visão única da existência do mais alto potencial e propósito na vida do homem. Se você quer ler somente um único livro para entender a visão de mundo de Ayn Rand, é este.

Ayn Rand amava ler – e acabou por querer escrever – ficção pelo envolvimento da história. Ela se perguntaria “Esta história é uma experiência que valeria viver por si mesmo? O prazer de contemplar estas personagens é um fim em si mesmo?”

Como milhões de leitores já descobriram, Atlas Shrugged é precisamente o tipo de romance que não se pode subestimar.

Atlas Shrugged coloca o leitor em seu próprio mundo de personagens imponentes — incluindo o gênio produtivo que se torna um playboy sem valores e um grande industrial que não sabe que trabalha para a sua própria destruição. A história é um mistério sobre um homem que disse que pararia o motor do mundo – e fez isso. A Sociedade se desintegra, racionamentos de comida levam a rebeliões, fábricas fecham às centenas. Este homem é um destruidor, ou o maior dos libertadores? O que é o motor do mundo? O que é preciso para colocá-lo novamente em funcionamento?

As respostas surgem durante o clímax assombroso e ainda assim lógico da trama. As respostas são de profunda significância não só para a resolução do conflito central da história – mas também para a vida das pessoas na realidade, hoje.

Atlas Shrugged apresenta o herói consumado por Ayn Rand — e a moral e filosofia radicalmente novas as quais ele vive. Essa subjacência filosófica é o sistema de idéias de Ayn Rand chamado objetivismo.

Com a publicação de Atlas Shrugged, a carreira de Ayn Rand como uma escritora de ficção chega ao fim. Nos anos seguintes, ela dedicaria seu tempo para lecionar e escrever extensivamente sobre a natureza e as aplicações de sua nova filosofia.

O filme também inspirou um filme recente de mesmo título. Saiba mais aqui.

IV. Filosofia: o Objetivismo

Numa conferência sobre vendas na Random House, precedendo a publicação de Atlas Shrugged, um dos livreiros perguntou a Ayn Rand se ela poderia apresentar a essência da sua filosofia em poucas palavras. Ela a descreveu assim:

Metafísica – Realidade Objetiva
Epistemologia – Razão
Ética – Interesse pessoal
Política – Capitalismo

Traduzindo para uma linguagem simplificada:
1. “A natureza, para ser comandada, precisa ser obedecida” ou “só querer algo não faz com que aconteça.”
2. “Você não pode comer o bolo e ter ele ao mesmo tempo.”
3. “O homem é um fim em si mesmo.”
4. “Liberdade ou morte.”

Mantendo estes conceitos com total consistência, como base das suas convicções, tem-se um sistema filosófico completo para guiar o curso da sua vida. Mas para mantê-los com total consistência – entender, definir, provar e aplicar – é necessário um volume de pensamento.

Sua filosofia, o objetivismo, considera que:

A realidade existe como um absoluto objetivo—fatos são fatos, independente dos sentimentos, desejos, esperanças ou medos do homem.

Razão  a faculdade que identifica e integra o material provido pelos sentidos do homem   é o único meio do qual o homem dispõe para perceber a realidade, sua única fonte de sabedoria, seu único guia para a ação e seu meio básico de sobrevivência.

O homem — todo homem — é um fim em si mesmo, não um meio para um fim alheio. Deve existir por si, não para sacrificar-se aos outros nem para sacrificar aos outros por si. A busca de seu próprios interesses racionais e da sua própria felicidade é o maior propósito moral de sua vida.

O sistema político-econômico ideal é o capitalismo liberal (laissez-faire). É um sistema onde os homens lidam uns com os outros, não como vítimas e executores, não como mestres e escravos, mas como negociantes, através de livres e voluntárias trocas para benefício mútuo.  É um sistema onde nenhum homem pode obter qualquer valor dos outros apenas pela foça física, e nenhum homem pode iniciar o uso da força física contra os outros. O governo age somente como um policial que protege os direitos do homem; usa a força física apenas em retaliação e apenas contra aqueles que iniciam o seu uso, como criminosos ou invasores estrangeiros. Num sistema de capitalismo total, deve haver (ainda que historicamente nunca tenha havido) uma separação completa entre Estado e Economia, do mesmo modo e pelas mesmas razões da separação entre Estado e Igreja.

Saiba mais em: http://www.aynrand.org/