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Novamente o agro negocio vive uma ótima fase com preços das commodities aquecidos devido a fatores mercadológicos mundiais.  Seria motivo de muita comemoração no Brasil se não fosse por alguns percalços ocorridos no nosso país.

Convivemos com sérios problemas de infra-estrutura, causados pela má administração publica que age com descaso e nos faz perder muito dinheiro, com isso surgiu o fator Custo Brasil.

O Custo Brasil é um termo genérico, usado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, ideológicas e econômicas que encarecem o investimento no Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, aumentam o desemprego e o trabalho informal e a sonegação de impostos e a evasão de divisas. Alguns exemplos de como se constitui o Custo Brasil são:

  • Corrupção administrativa elevada.
  • Monopólios estatais na economia, eliminando a concorrência.
  • Déficit público elevado.
  • Legislação ambiental restritiva e inibidora do desenvolvimento.
  • Constituição e leis cerceadoras da livre-iniciativa.
  • Impossibilidade e dificuldades de entrada de capitais externos em diversos setores.
  • Burocracia excessiva para criação de uma empresa.
  • Um dos piores sistemas educacionais do mundo.
  • Incerteza política e ideológica crônica.
  • Manutenção de taxas de juros reais elevadas.
  • Spread bancário exagerado (um dos maiores do mundo).
  • Baixa eficiência portuária, com taxas elevadas e tempos de carga e descarga excessivos.
  • Burocracia excessiva para importação e exportação, dificultando o comércio exterior.
  • Carga tributária excessiva.
  • Custos trabalhistas excessivos, devido a uma legislação trabalhista obsoleta.
  • Altos custos do sistema previdenciário.
  • Legislação fiscal complexa, dando margem a subterfúgios que tornam as operações desnecessariamente complexas e arriscadas.

Apesar da prevalência do termo, não há um indicador específico associado ao conceito. O termo é usado geralmente de forma qualitativa, sendo impossível quantificar de forma exata quando representa o Custo Brasil.

O custo Brasil é real e pesa consideravelmente nos custos de insumos e produtos afetando os preços de forma significativa e prejudicial.

Contudo, o problema em questão é que o Custo Brasil se tornou um forte argumento de fornecedores de insumos agrícolas para justificarem altas “absurdas” e de forma rotineira em tempos de alta das commodities, isso ocorre, pois o custo Brasil se da de forma indireta, não tendo uma forma concreta de mensuração ou calculo para ser controlado ou mensurado de forma exata, servindo assim como argumento de validação para “reajustes mal explicados”. Um exemplo claro ocorreu essa semana, um fertilizante NPK na formula 08-18-18 estava 820 reais a tonelada, essa semana sofreu reajuste de 28%, saltando para 1050 reais a tonelada.

O que deixa os produtores indignados é que eles sempre têm algum “bom” argumento para justificar essas altas. Quando o dólar sobe, os insumos são reajustados pela alta do dólar, mas quando o dólar cai esses mesmo insumos não sofrem reajustes proporcionais à queda ou nem mesmo tem alteração nos seus preços, isso quando não tem alta, que no caso é justificado da seguinte forma: – “o dólar caiu, mas o custo Brasil subiu e por isso o insumo X teve alta ou impediu a baixa do preço”.

Eu não estou dizendo que o custo Brasil não incida sobre os produtos, pelo contrario, tenho plena certeza do tamanho da incidência dele sobre esses fornecedores gerando problemas e prejuízos aos mesmos e a todos nós, porem, eles tem usado isso de forma abusiva, pois o custo Brasil que conhecemos não oscilou nas proporções da variação cambial ou da alta doa commodities para justificar esses aumentos.

Vou dar mais alguns exemplos práticos aqui para fundamentar e abrir um debate sobre o tema buscando esclarecer e corrigir essas “discrepâncias”. Há alguns anos, no exato dia em que o dólar chegou a 4,01 reais eu fiz uma compra de herbicida Roundup Original em uma revenda tradicional da minha região, o qual paguei 5,80 reais por litro. Hoje esse mesmo produto esta acima de 13 reais na mesma revenda, alta de mais de 125% e nessa época a soja estava beirando os 50 reais, hoje mesmo com a saca a 45 reais, que é um ótimo preço, ainda sim 10% abaixo do preço da época em que comprei o produto, e o dólar 56% mais baixo, na casa de 1,70 R$. Mesmo assim o preço desses insumos veio subindo constantemente, mesmo com a queda do dólar e quando a soja, milho e trigo chegaram a preços absurdamente abaixo do custo de produção, Milho a 9 R$, Soja a 18 R$ e trigo a 15 R$ sendo esses preços na minha região. Para se ter uma idéia, em países vizinhos encontramos produtos similares ao roundup por 2 $ o litro, que hoje não custaria 4 R$, o mesmo acontece com outros insumos e maquinas.

Nesse intervalo de tempo, em algumas ocasiões, para “disfarçar” as altas absurdas constantes os produtos tinham queda nos preços, desproporcionais a realidade cambial e aos fatores mercadológicos, apenas para conter e acalmar os “ânimos” dos produtores e entidades afins, geralmente após uma alta considerável, por exemplo, de 50%, após um relativo curto período de tempo, ocorria um reajuste negativo de 15%, desproporcional a realidade econômica vivida no momento em questão, deixando uma falsa impressão de alivio em muitos, sendo que na realidade o produto tinha encarecido 35% sem reais motivos explícitos a todos. Muitas vezes também usam a alta dos commodities como argumento, mas o aumento de preços dos insumos geralmente não tem proporcionalidade nesse aspecto também.

Devemos nos conscientizar, informar e participarmos ativamente junto de entidades do setor que estão ai para nos apoiar e cobrarmos de nossos representantes políticos atitudes  em relação a esse câncer chamado Custo Brasil que da margem para tantos problemas a todos nós, muitos dos quais verídicos que afetam verdadeiramente a empresas e produtores, mas também que dão margem para justificar alguns abusos e irregularidades.

Para encerrar com outro exemplo que reforça a situação, vai uma comparação que foi usada em panfletos distribuídos durante o protesto Grito do Ipiranga:

Alerta do Campo

Confira as variações de preços em reais de alguns produtos que proporcionaram a crise na agricultura Brasileira!!!

Produto/Moeda

2002

2006

Variação

Dólar

3,02 R$

2,05 R$

-47%

Diesel

0,83 R$

1,98 R$

+138%

Adubo

498,50 R$

700,00R$

+40%

Soja

43,00 R$

19,00 R$

-126%

1000 SACAS DE SOJA EM 2002 COMPRAVAM:

DIESEL

51.807 LITROS

ADUBO

86 TONELADAS

1000 SACAS DE SOJA EM 2006 COMPRAM:

DIESEL

9.600 LITROS

ADUBO

27 TONELADAS

O panfleto distribuído nas estradas pelos produtores durante o protesto encerrava com a mensagem “E ainda Vamos continuar Plantando??? Não, não vamos!! Quem votou no Lula que morra de fome!”.

O BRASIL VIVE UMA DITADURA BRANCA, POR OMISSÃO DA MAIORIA. O POVO ANESTESIADO PELA POLÍTICA DE PÃO E CIRCO NÃO SE MOBILIZA E DEIXA TUDO NAS MÃOS DE POPULISTAS PILANTRAS. ESSA SITUAÇÃO É INSUSTENTÁVEL COMO UM CÂNCER, EM ALGUM MOMENTO ELE VAI SE CONSUMIR E MATAR O PAÍS.