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Um dos maiores clichés sobre política no Brasil, é que o péssimo cenário político do país não se dá só graças aos políticos e sim pelos eleitores que os elegem, mas se olharmos o assunto mais a fundo é possível ver que menos de 7% dos deputados federais se elegeram com seus próprios votos em 2010, o resto foi eleito graças ao quociente eleitoral.
Dos 513 deputados federais, apenas 35 se elegeu com votos próprio e em 2006 foi pior, só 32 foram eleitos sem ajuda do quociente eleitoral. Esses dados demonstram que a população em si não tem tanta culpa assim, uma vez que se é obrigado a votar e apenas alguns se elegem de fato, o resto é “colocado”. Os partidos que tiveram deputados (realmente) eleitos foram: PT e PMDB, cada um com sete, PSB, com cinco, PR, elegeu três, PSDB, DEM e PP apenas dois e PTB, PPS, PDT, PSC, PSOL e PCdoB, tiveram só um deputado eleito.
Como funciona o quociente eleitoral
Segundo a entrevista dada a UOL em 2010, o cientista Rubens Figueiredo, da USP, explica como funciona o quociente eleitoral:
“O Estado de São Paulo tem 70 deputados federais. Vamos supor que São Paulo tenha 700 mil votos. Dividindo 700 mil por 70, o quociente seria de 10 mil. O partido vai ter 30 candidatos: soma a votação de todos mais os votos na legenda. Vamos supor que deu 22 mil. Agora divida 22 mil por 10 mil – vai dar 2,2. O partido vai eleger dois deputados”.
Esse método faz com que partidos busquem candidatos que puxem votos para a legenda, um exemplo recente é o Tiririca, deputado federal eleito em SP pelo PR (Partido da Republica). Ele teve uma votação recorde, com mais de 1,3 milhão de votos e isso permitiu que mais três candidatos a deputado federal pelo PR fossem “eleitos”.
Uma das alternativas ao quociente eleitoral seria o voto distrital, sistema que é adotado em diversos países, em especial EUA e Reino Unido. O voto distrital é um sistema de voto majoritário onde o estado ou cidade é divido em distritos com quase o mesmo número de habitantes e cada partido é obrigado a indicar apenas um único candidato para cada distrito, assim o distrito escolhe seu representante. A vantagem do voto distrital é que o deputado federal, estadual ou vereador, se dedica apenas ao distrito que o elegeu. Isso permite uma representatividade real da região e uma maior fiscalização do eleitor, pois ele sabe quem realmente é o representante da sua região.
Recentemente surgiu uma campanha pela adoção do voto distrital e ela vem ganhando apoio, mesmo que aos poucos. Porém muitos partidos são contra o voto distrital, pois sabem que vão perder as regalias do quociente eleitoral e correr o risco de diminuírem ou até sumir.
Esse é o link do site da campanha Eu Voto Distrital: http://www.euvotodistrital.org.br , a onde você pode ter maiores informações sobre eles e nesse outro link tem uma explicação mais detalhada sobre o que é o voto distrital: http://www.euvotodistrital.org.br/voto-distrital/o-que-e/