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Este é o segundo post da nossa série homenageando as mulheres da direita política, de todas as vertentes. A homenageada de hoje, pode-se dizer, foi a mulher mais poderosa do mundo no auge de sua carreira. Literalmente.

Batizada pelos seus inimigos de Dama de Ferro, Margaret Thatcher fez juz ao apelido colocando ordem na Inglaterra, recuperando um país que estava em frangalhos. Talvez não haja melhor imagem para representar a força feminina do que Thatcher hoje em dia: foi, por três vezes, primeira-ministra da Grã-Bretanha. Feito este até hoje já mais alcançado por qualquer outra mulher. Entre revoltas de líderes sindicais, atentados do IRA e a Guerra das Malvinas, Thatcher emerge como um símbolo não só do conservadorismo  mas como uma prova cabal do poder feminino na política.

Recentemente, sua vida virou tema de um filme que estreará este ano no cinema: The Iron Lady.

Biografia

A carreira política de Margaret Thatcher foi uma das mais memoráveis dos tempos modernos. Nascida em outubro de 1925 em Grantham, uma pequena cidade comercial no leste da Inglaterra, veio a se tornar a primeira mulher a liderar uma das grandes democracias ocidentais. Ganhou três eleições gerais sucessivas e serviu como Primeira Ministra Britânica por mais de onze anos (1979-1990), um verdadeiro recorde.
Durante seu mandato ela reformou cada aspecto da política britânica, revivendo a economia, reformando instituições já ultrapassadas e revigorando a política externa da nação. Desafiou e fez de tudo para superar a psicologia derrotista que estava enraizada na Bretanha desde a Segunda Guerra Mundial, buscando uma recuperação nacional com energia e determinação.

Durante o processo, Margaret Thatcher se tornou um dos fundadores, junto com Ronald Reagan, de uma escola de convicção política conservadora, que teve impacto grande e duradouro na política da Bretanha e dos Estados Unidos e lhe valeu um reconhecimento internacional que nenhum outro político britânico conseguiu desde Winston Churchill.

Ao mudar com sucesso a política econômica e externa da Inglaterra para a direita política, seu governo ajudou a encorajar tendências internacionais que se difundiram e aprofundaram durante a década de 80 e 90, conforme o fim da Guerra Fria, a expansão da democracia e o crescimento do livre mercado fortalecia a liberdade política e econômica em cada continente.

Margaret Thatcher se tornou um dos líderes políticos mais influentes e respeitados, assim como um dos mais controversos, dinâmicos e diretos. Um ponto de referência para amigos e inimigos.

1925-1947: Grantham e Oxford
Os primeiros anos de vida de  Margaret Thatcher em Grantham foram essenciais na formação de suas convicções políticas. Seus pais, Alfred e Beatrice Roberts, eram metodistas. A vida social da família era vivida sobretudo dentro da pequena comunidade da congregação local, unida por fortes tradições de ajuda mútua, trabalho caritativo e confiança pessoal.

A família Roberts tinha uma mercearia. Margaret Roberts assistia aulas na escola pública local e de lá obteve uma vaga em Oxford, onde estudou química no Somerville College (1943 a 1947). Sua tutora era Dorothy Hodgkin, uma pioneira da cristalografia com raio-x que ganhou um prêmio Nobel em 1964.

Margaret Thatcher, quando estudava Química.

1950-1951: Candidata para DartfordMas a química ficou em segundo lugar nos planos de futuro de Margaret Thatcher. A política conservadora sempre foi uma característica de sua vida familiar: seu pai era um conselheiro local em Grantham e lhe contava as tarefas do dia. Ela foi eleita presidente da Associação Conservadora dos estudantes em Oxford e encontrou-se com muitos políticos proeminentes, ficando conhecida pela liderança do seu partido na época de sua derrota devastadora para o Labour Party nas eleições gerais de 1945.

Com seus vinte e poucos anos, concorreu como candidata conservadora por uma posição em Dartford nas eleições gerais de 1950 e 1951, ganhando publicidade nacional como a mais jovem candidata no país.

Margaret Thatcher em 1951, com o marido Denis.

Perdeu ambas as vezes, mas reduziu a hegemonia do Labour e aproveitou a experiência de campanha. Os aspectos de seu estilo político maduro formaram-se em Dartford, que era o distrito eleitoral de uma grande classe trabalhadora que tinha sofrido tanto quanto outras durante o racionamento e a escassez do pós-guerra, assim como o aumento da taxação e da regulamentação estatal. Ao contrário de muitos conservadores da época, ela tinha pouca dificuldade de ser ouvida em audiências e falava com tranquilidade, força e confiança, sobre assuntos que diziam respeito aos eleitores.

1951-1970: Família e Carreira
Também foi em Dartford que ela conheceu seu marido, Denis Thatcher, um empresário local que administrava a firma da família antes de se tornar um executivo na indústria do petróleo. Casaram-se em 1951. Gêmeos – Mark e Carol – nasceram em 1953.

A Família Thatcher. Denis, Mark, Carol e Margaret.

1970-1974: Ministra da EducaçãoNa década de 50, Margaret Thatcher treinou como advogada, especializando-se em tributação. Foi eleita para o Parlamento em 1959 como Membro do Parlamento (MP) para Finchley, uma distrito eleitoral no norte de Londres, que ela continuou a representar até se tornar membro da Câmara dos Lordes (como Baronesa Thatcher) em 1992. Dentro de dois anos, foi colocada na administração de Harold Macmillan e durante 1964 e 1970 (quanto os conservadores estavam na oposição), estabeleceu seu lugar entre as figuras mais importantes do partido, servindo continuamente como ministra. Quando os conservadores voltaram ao governo em 1970, tendo Edward Heath como premiê, atingiu o cargo de Secretária da Educação.

Margaret Thatcher teve um caminho duro como ministra da educação. O início dos anos 70 foram marcados pelo radicalismo dos estudantes. Protestantes interrompiam seus discursos, a imprensa de oposição a vilificava, e a política educacional em si parecia irremediavelmente caminhar para a esquerda. No entanto, ela deu conta do trabalho e a experiência a tornou mais forte.

O governo Heath foi abalado por uma série de eventos durante o mandato (1970-1974) e desapontou muitos. Eleito por suas promessas de recuperação econômica através do controle dos sindicatos e introdução de mais políticas de livre mercado, executou uma série de políticas reversas – chamadas de ‘U turns’ (“curva de 180% graus”) – e se tornou um dos governos mais intervencionistas na história da Inglaterra, negociando com os sindicatos para introduzir um detalhado controle de salários, preços e dividendos. Derrotado nas eleições gerais de fevereiro de 1974, o governo Heath deixou um legado de inflação e conflito industrial.

1975: Eleita a líder dos conservadores
Muitos conservadores estavam ansiosos por uma nova abordagem depois do governo Heath e do partido perder a segunda eleição geral em outubro de 1974. Margaret Thatcher concorreu com Heath pela liderança. Para surpresa geral (para ela inclusive), em fevereiro de 1975 ela derrotou-o na primeira votação e também no segundo turno, ainda que concorresse com meia dúzia de outras grandes figuras. Tornou-se a primeira mulher a liderar um partido político ocidental e a servir como líder da oposição na Câmara dos Comuns.

Thatcher em 1975.

Mas no inverno de 1978/79, a sorte do Labour acabou. As exigências de salários dos sindicatos levaram a uma epidemia de greves e demonstraram que o governo tinha pouca influência sobre seus aliados no movimento trabalhista. A opinião pública voltou-se contra o Labour e o Conservative ganhou a maioria parlamentar de 43 cadeiras nas eleições gerais de 1979. No dia seguinte, Margaret Thatcher tornou-se a Primeira Ministra do Reino Unido.1975-1979: Líder da oposição
O governo trabalhista de 1974 a 1979 foi um dos mais críticos da história da Inglaterra, levando o país a um estado de falência em 1976 quando o colapso no valor da moeda no comércio exterior forçou o governo a negociar crédito com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O FMI impôs rígidos controles de gastos ao governo como uma condição para o empréstimo, que, ironicamente, aumentou o apoio popular ao Labour. No verão de 1978 era possível até acreditar que pudessem ser reeleitos.

1979-1983: Primeira Ministra – Primeiro mandato
O novo governo comprometeu-se a inverter o declínio econômico da Grã-Bretanha. No curto prazo, medidas dolorosas eram necessárias. Embora os impostos diretos tenham sido cortados, para restaurar os incentivos, o orçamento teve que ser equilibrado, e os impostos indiretos foram aumentados. A economia já estava entrando em uma recessão, mas a inflação estava subindo e taxas de juros tiveram de ser aumentadas para controlá-la. Até o final do primeiro mandato de Margaret Thatcher, o desemprego na Grã-Bretanha atingiu mais de três milhões e começou a cair apenas em 1986. Um grande número da indústrias ineficientes na Grã-Bretanha fechou. Ninguém previu qual seria a gravidade da crise.

Thatcher em 1979.

Mas ganhos vitais de longo prazo foram feitos. A inflação foi controlada e o governo criou a expectativa de que faria o que fosse necessário para mantê-la baixa. O orçamento da primavera de 1981, aumentando impostos no ponto mais baixo da recessão, ofendeu o pensamento keynesiano econômico convencional, mas tornou possível um corte nas taxas de juros. A Recuperação econômica começou no mesmo trimestre e seguiram-se oito anos de crescimentoApoio político aumentou a partir dessa conquista, mas a reeleição do governo só foi determinada por um evento imprevisível: a Guerra das Malvinas. A invasão da junta argentina às ilhas em abril de 1982 foi recebida por Margaret Thatcher da maneira mais firme e determinada possível. Embora tenha trabalhado com o governo dos EUA para buscar uma solução diplomática, uma Força-Tarefa militar britânica foi despachada para retomar as ilhas. Quando a diplomacia falhou, a ação militar foi rapidamente bem sucedida e as Falklands estavam de volta sob controle britânico em junho de 1982.

Thatcher com tropas britânicas, 1983.

O eleitorado ficou impressionado. Poucos líderes britânicos ou europeus teriam lutado pelas ilhas. Ao fazer isso, Margaret Thatcher lançou as bases para uma política externa muito mais vigorosa e independente durante o resto dos anos 80. Quando a eleição geral veio em junho de 1983, o governo foi reeleito e sua maioria parlamentar mais do que triplicou (144 lugares).

1983-1987: Primeira Ministra – Segundo mandato
O segundo mandato começou com quase tantas dificuldades quanto o primeiro. O governo viu-se desafiado pelo sindicado dos mineiros, que fez uma greve de um ano de duração em 1984-85 sob uma liderança militante. O movimento sindical como um todo, resistiu duramente às reformas sindicais do governo, que começou com a legislação em 1980 e 1982 e continuou depois das eleições gerais.

A greve dos mineiros foi uma das mais longas e violentas da história britânica. O resultado era incerto, mas depois de muitas voltas, o sindicato foi derrotado. Isto provou ser um desenvolvimento crucial, porque ele garantiu que as reformas de Thatcher seriam duráveis. Nos anos que se seguiram, a oposição do Labour calmamente aceitou a popularidade e o sucesso da legislação sindical e prometeu não inverter os seus componentes-chave.

Militantes sindicalizados: o menor dos desafios?

Em outubro de 1984, quando a greve ainda estava em andamento, o Exército Republicano Irlandês (IRA) tentou assassinar Margaret Thatcher e muitos de seu gabinete com bombas em seu hotel em Brighton durante a conferência anual do Conservative Party. Embora ela tenha sobrevivido sem ferimentos, alguns de seus colegas mais próximos estavam entre os feridos e mortos e a sala ao lado foi severamente danificada. Nenhum primeiro ministro do século XX chegou tão perto de ser assassinado.

Irish Republican Army (IRA), responsável pelo atentado contra Thatcher.

A política britânica na Irlanda do Norte tinha sido uma fonte permanente de conflitos para cada primeiro-ministro desde 1969, mas Margaret Thatcher despertou ódio especial do IRA por sua recusa em atender às suas demandas políticas, sobretudo durante a greve de fome 1980-1981 na prisão.

Sua política foi implacavelmente hostil ao terrorismo, republicano ou legalista, embora tenha aceito a negociação do Acordo Anglo-Irlandês de 1985, com a República da Irlanda. O acordo foi uma tentativa de melhorar a cooperação de segurança entre a Grã-Bretanha e a Irlanda e para dar algum reconhecimento à visão política dos católicos na Irlanda do Norte, uma iniciativa que ganhou o endosso da administração Reagan eo Congresso dos EUA.

A economia continuou a melhorar durante o Parlamento de 1983-1987 e a política de liberalização econômica foi estendida. O governo começou a perseguir uma política de venda dos bens do Estado, que no total havia sido de mais de 20 por cento da economia, quando os conservadores chegaram ao poder em 1979. As privatizações britânicas dos anos 1980 foram as primeiras deste tipo e mostraram-se influentes em todo o mundo.

Sempre que possível, a venda de bens do Estado ocorria por meio de ações que as oferecem ao público, com condições generosas para os pequenos investidores. Os governos de presidiram sobre um grande aumento no número de pessoas economizando através do mercado de ações. Eles também encorajaram as pessoas a comprar suas próprias casas e fazer regimes de pensões privados, políticas que ao longo do tempo aumentaram em muito o patrimônio pessoal da população britânica.A ala esquerda do Partido Conservador nunca foi fácil para a sua chefe. Em janeiro de 1986, as duradouras divisões entre esquerda e direita no Gabinete Thatcher foram expostas publicamente pela renúncia súbita do ministro da Defesa, Michael Heseltine, em uma disputa sobre os problemas de negócios da fabricante de helicópteros britânicos, Westland. Os efeitos da ‘Affair Westland’ desafiaram a liderança de Margaret Thatcher como nunca antes. Ela sobreviveu a crise, mas seus efeitos foram significativos. Ela foi submetida a fortes críticas dentro do próprio partido pela decisão de permitir que aviões de guerra dos EUA voassem a partir de bases britânicas para atacar alvos na Líbia (abril 1986). Falou-se do governo e de seu líder estarem “cansados”.

Sua resposta foi típica: na conferência anual do Partido Conservador em outubro de 1986, seu discurso prenunciou uma série de reformas para um terceiro governo Thatcher. Com uma economia do agora muito forte, as perspectivas eram boas para a eleição e o governo foi devolvido com uma maioria parlamentar de 101 em de Junho de 1987.

1987-1990: Primeira-ministra – terceiro mandato
A plataforma legislativa do terceiro mandato do Governo Thatcher está entre as mais ambiciosas já apresentadas por uma administração britânica. Havia reformas para o sistema de ensino (1988). A introdução de um currículo nacional, pela primeira vez. Houve um novo sistema fiscal para o governo local (1989), a Community Charge, ou “poll tax”, como era apelidado pelos adversários. Havia inclusive legislação para separar compradores e fornecedores dentro do Serviço Nacional de Saúde (1990), abrindo o serviço a competição pela primeira vez e aumentando o escopo de uma gestão eficaz.

Todas as três medidas eram profundamente controversas. A Community Charge, em particular, tornou-se um sério problema político, quando conselhos locais aproveitaram a introdução do novo sistema para aumentar as taxas de impostos, responsabilizando o Governo Thatcher pelo aumento. (O sistema foi abandonado pelo sucessor de Margaret Thatcher, John Major, em 1991.) Por outro lado, as reformas da educação e da saúde mostraram-se duradouras. Sucessivos governos construíram sobre esta realização e em alguns aspectos, estenderam seu escopo.

A economia cresceu em 1987-88, mas também começou a superaquecer. Taxas de juros tiveram que ser duplicadas em 1988. A divisão dentro do governo sobre a gestão da moeda surgiu, e Margaret Thatcher opôs-se fortemente à política instada pelo seu Chanceler do Tesouro e outros, de atrelar a libra esterlina ao marco através do Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio (ERM). No processo, suas relações com o seu Chanceler do Tesouro, Nigel Lawson, foram fatalmente danificadas, e ele renunciou em outubro de 1989.

Por trás dessa disputa, houve discordância profunda dentro do governo sobre a política para a própria Comunidade Europeia. O primeiro-ministro encontrou-se cada vez mais em desacordo com seu ministro das Relações Exteriores, Sir Geoffrey Howe, tocando em todas as questões de integração europeia. Seu discurso em Bruges em Setembro de 1988 começou o processo pelo qual o Conservative Party – ao mesmo tempo em grande parte “pró-europeu” – tornou-se predominantemente “euro-cético”.

Paradoxalmente, tudo isso aconteceu em um cenário de eventos internacionais profundamente úteis para a causa conservadora. Margaret Thatcher desempenhou seu papel na última fase da Guerra Fria, tanto no fortalecimento da aliança ocidental contra os soviéticos no início de 1980 e no sucesso do desenrolar do conflito no final da década.

Os soviéticos chamavam a ela “Dama de Ferro” – uma marca que ela apreciava – pela linha dura que tomou contra eles em discursos, pouco depois de se tornar líder do Partido Conservador em 1975. Durante a década de 1980 ela ofereceu um forte apoio às políticas de defesa da administração Reagan.

Margaret Thatcher e Ronald Reagan.

Mas, quando Mikhail Gorbachev surgiu como um potencial líder da União Soviética, ela convidou-o para ir a Grã-Bretanha em dezembro de 1984 e anunciou que ele era um homem com quem ela poderia fazer negócios. Ela não suavizou suas críticas ao sistema soviético, fazendo uso de novas oportunidades para chamar o público de televisão no leste a colocar-se num processo de oposição ao comunismo. Não obstante, ela desempenhou um papel construtivo na diplomacia que alisou o desmembramento do império soviético e da própria União Soviética nos anos 1989-1991.

No final de 1990, a Guerra Fria acabou e os livres mercados e instituições vingaram. Mas esse evento desencadeou a próxima fase da integração europeia, já que a França retomou o projeto de uma moeda única europeia, na esperança de controlar o poder de uma Alemanha reunificada. Como resultado, as divisões sobre a política Europeia no âmbito do governo britânico foram aprofundadas até o final da Guerra Fria e agora tornava-se aguda.

Em 1º de novembro de 1990 Sir Geoffrey Howe renunciou a Europa e em um discurso de renúncia amarga precipitou um desafio à liderança de Margaret Thatcher no partido por parte de Michael Heseltine. Na votação que se seguiu, ela conquistou a maioria dos votos. Ainda sob as regras do partido, a margem foi insuficiente, e uma segunda votação foi exigida. Recebendo a notícia em uma conferência em Paris, ela imediatamente anunciou sua intenção de prosseguir lutando.

Mas um terremoto político ocorreu no dia seguinte a seu retorno a Londres, quando muitos colegas em seu gabinete – antipáticos à ela na Europa e duvidando que ela pudesse ganhar uma quarta eleição Geral – abruptamente abandonaram a liderança e não lhe deixaram outra escolha senão retirar-se. Ela renunciou ao cargo de primeira ministra em 28 de novembro de 1990. John Major sucedeu-lhe e serviu no cargo até a eleição esmagadora do Governo trabalhista de Tony Blair, em Maio de 1997.

Biografia: Conclusão
Depois de 1990, Lady Thatcher manteve-se uma figura política poderosa. Ela escreveu dois volumes de memórias que se tornaram best-sellers – The Downing Street Years (1993) e The Path to Power (1995) – continuando por uma década inteira a viajar pelo mundo como conferencista. Um livro de reflexões sobre política internacional – Statecraft – foi publicado em 2002. Durante o período, ela fez algumas intervenções importantes na política interna britânica, sobretudo com relação à Bósnia e o Tratado de Maastricht.

Em março de 2002, após vários pequenos acidentes vasculares cerebrais, ela anunciou o fim de sua carreira.

Denis Thatcher, marido por mais de 50 anos, morreu em junho de 2003, recebendo homenagens de todos os lados.

Margaret Thatcher permanece uma figura intensamente controversa na Grã-Bretanha. Os críticos afirmam que suas políticas econômicas eram socialmente segregadoras, que ela era dura ou “indiferente” em sua política, e hostil às instituições do welfare state britânico. Defensores apontam para uma transformação no desempenho econômico da Grã-Bretanha ao longo dos governos Thatcher e os de seus sucessores como primeiro-ministro. Reformas sindicais, privatizações, desregulamentação, uma postura anti-inflacionária forte, e controle de impostos e gastos criaram melhores perspectivas econômicas para a Grã-Bretanha do que parecia possível quando se tornou primeira ministra em 1979.

Críticos e defensores igualmente reconhecem o período de Thatcher como ministra como um período de importância fundamental na história britânica. Margaret Thatcher acumulou prestígio enorme no decorrer dos anos 1980 e muitas vezes obrigou a se fazer respeitada mesmo diante dos seus mais ferrenhos críticos. De fato, seu efeito sobre os termos do debate político tem sido profundo. Se ele foi convertido em “thatcherismo”, ou simplesmente forçado pelo eleitorado por puro capachismo, a liderança do Labour Party foi transformada por seu período de mandato e a política do “New Labour” de Tony Blair e Gordon Brown não teria existido sem ela. Seu legado continua a ser o núcleo da moderna política britânica: a crise econômica mundial desde 2008 reviveu muitos dos argumentos da década de 1980, mantendo o seu nome no centro do debate político na Grã-Bretanha.

Fonte: http://www.margaretthatcher.org/

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